Relatório de Análise Crítica - História das Relações Internacionais I
O
mercantilismo, que era, um conjunto de ideias e práticas que caracterizaram um
período de transição feudo-capitalista na sociedade europeia entre os séculos
XVI e XVIII é caracterizado como decorrência de transformações pelas quais a
sociedade da época passou. A primeira transformação seria o fim da forma
feudalista – que transitava para uma fase capitalista – de sociedade; e a
segunda seria o período de quem que essas transformações ocorreram de fato,
fase essa onde houve a ocorrência de uma dualidade de formas, uma mistura de
feudalismo com capitalismo. Duas indagações são feitas, essas com o intuito de
“marcar” a época que ficaria conhecida como Época Mercantilista, sendo elas: o
que é a época mercantilista e o que não é a época mercantilista. O
mercantilismo não tem como principal traço o modo de agir mercantilista –
essência mercantilista – que é ligada ao modo com o qual o comerciante age, mas
um traço importante do mercantilismo é a capacidade de poupar e lucrar com a
comercialização, o chamado Capitalismo Comercial.
A
transição feudal-capitalista, em seu nível econômico, é marcada por: crises,
revoluções, o aparecimento e expansão das atividades industriais, como a
manufatura; expansão das atividades econômicas europeias e surtos populacionais.
Um dos níveis estruturais mais interessantes – em minha opinião – decorrentes
dessa transição é sem dúvidas o nível político-jurídico. Nível de transição
esse, onde começa o processo onde surgem os Estados Modernos. Nesse nível de
transição, do mesmo modo que o capitalismo comercial não é a completa antítese
do modo de produção feudal, o caráter do Estado, ou seja, o seu regime
político, não pode ser considerado feudal, tampouco, pode ser considerado um
como um regime de natureza capitalista, outrossim, não pode ser considerado
como um regime com caráter de neutralidade entre esses dois regimes (feudal e
capitalista), isso torna – ao meu ver e com informações do texto – esse período
como um período político- jurídico com um caráter completamente indefinido. Um
personagem que se toma um papel de suma importância no período de transição
feudo-capitalista, vulgo período mercantilista, é o príncipe que tende a tomar
as principais decisões.
Em
se tratando da transição feudal-capitalista no seu nível ideológico, devemos
lembrar que esse período de transição é decorrente de um processo de crise
estrutural da época, no período que era compreendido o regime feudal a igreja
tinha uma grande representatividade e influencia que com o período de transição
sofreu bastante mudança, visto que houve uma mudança de pensamentos de:
medieval e católico para moderno, secular e burguês. Acontecimentos que
influenciaram essa mudança de pensamentos foram em grande parte vindos das
Reformas Protestantes, onde começou a ser contestada a autoridade de igreja
católica. Como exemplo dessa ruptura igreja-povo é citado Maquiavel, um
clássico da filosofia política, que ressaltava a importância de uma ruptura em
a igreja e o estado (moral x política) com objetivo de tirar a dependência da
igreja em decisões de Estado. Sendo assim esse terceiro nível [ideológico] teve
como principal cenário em sua transição feudo-capitalista a ruptura dos
pensamentos entre a igreja e o estado.
Sendo
assim, podemos notar que o mercantilismo teve um papel muito importante no
processo de transição entre o feudalismo e o capitalismo, visto que, ele foi a
estrutura de sustentação da transição entre esses dois regimes. Período de
transição, esse, que foi a base, o molde, por assim, dizer das estruturas nas
quais a sociedades da Idade Moderna e também da Idade Contemporânea estava/está
inserida até hoje, seja em seu aspecto econômico, político e/ou ideológico.
FALCON, Francisco; “O Mercantilismo e Sua Época”; in A Época Pombalina: Política Econômica e monarquia ilustrada. pp. 21-59
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